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15 de Mai de 2019

Advogado muçulmano de Asia Bibi explica porque defende cristãos no Paquistão

Saif ul-Malook, advogado muçulmano de Asia Bibi, a mãe católica que foi condenada injustamente à morte acusada de blasfêmia contra o Islã no Paquistão e há poucos dias chegou ao Canadá, onde recebeu asilo, explica porque defende os cristãos no país.

Em declarações ao jornal do Vaticano, L´Osservatore Romano (LOR), o jurista disse que decidiu dedicar-se a defender os cristãos porque "são os mais pobres e mais vulneráveis ​​da sociedade."

Os cristãos no Paquistão, lamentou, "não têm meios para se defender e por isso acabam sendo penalizados. Não têm protetores nas instituições como acontece com as famílias poderosas. Por essa razão, são bodes expiatórios e vítimas de injustiças".

Asia Bibi saiu do Paquistão e chegou ao Canadá na terça-feira, 7 de maio, onde já estavam seus filhos e seu marido, segundo informaram diversas fontes que também asseguraram que seu estado de saúde é muito delicado, por isso terá que receber tratamento médico

Bibi foi condenada à morte há nove anos por um suposto crime de blasfêmia e foi absolvida em outubro de 2018.

A mãe católica não pôde deixar o país antes devido à pressão realizada por grupos extremistas muçulmanos no Paquistão.

Para o advogado muçulmano, "o término feliz da tormenta vivida por Asia Bibi, que agora está no Canadá, é um bem antes de tudo para ela e para sua vida. Então, é um bom resultado para mim e para todos aqueles que tentaram salvá-la”.

"É um acontecimento que faz justiça a homens corajosos como Shahbaz Bhatti e Salman Taseer, que se expuseram e pagaram com suas vidas o esforço para defender Asia. Finalmente, é um forte sinal de esperança para toda a nação paquistanesa, onde venceram a justiça e o estado de direito", disse o especialista ao LOR.

Taseer era um muçulmano que foi governador do estado de Punjab. Ele visitou Asia Bibi na prisão e proclamou publicamente sua inocência, razão pela qual os extremistas islâmicos ordenaram seu assassinato, que foi realizado por Mumtaz Qadri. Saif ul-Malook foi o promotor no caso aberto depois contra o assassino e que concluiu com sua execução.

Shahbaz Bhati foi um católico que serviu como ministro das minorias no Paquistão e que também foi morto em 2011 por extremistas muçulmanos.

Após assinalar que não hesitou em defender Asia Bibi quando pediram para ele, Saif ul-Malook explicou que agora trabalha no caso de "Shagufta Bibi, uma mulher cristã que, nos últimos anos, esteve na cela ao lado de Asia na Prisão de Multan. A mulher e o marido precisam ser defendidos legalmente".

O advogado também disse ao LOR que ambos são acusados ​​de enviar mensagens consideradas blasfêmias contra o Islã. "As mensagens estão em inglês, mas os dois são pobres e analfabetos, não poderiam escrever em urdu nem em inglês", destacou.

Para concluir, o advogado disse ao jornal do Vaticano que "um dia gostaria de me encontrar com o Papa Francisco, um homem que está sempre do lado dos mais fracos e dos mais pobres".

O caso de Asia Bibi

Em junho de 2009, Asia Bibi trabalhava recolhendo frutas na cidade de Sheikhupura, perto da capital Lahore, no Paquistão. Quando se aproximou de um poço para beber, um grupo de muçulmanos a acusou de contaminar a água por ser cristã.

Bibi respondeu aos insultos contra sua fé dizendo: "Eu acredito na minha religião e em Jesus Cristo que morreu na Cruz pelos pecados da humanidade. O que fez seu profeta Maomé para salvar a humanidade?".

Depois de ser acusada de blasfemar contra o Islã, Bibi foi presa em 2009 e condenada à morte em 2010.

Começou, então, uma campanha internacional para conseguir sua libertação. Em 31 de outubro de 2018, a Suprema Corte Federal anulou a sentença que pesava sobre essa mãe católica.

A dura lei antiblasfêmia paquistanesa foi estabelecida na época colonial britânica para evitar confrontos religiosos, mas na década de 1980, várias reformas promovidas pelo ditador Zia ul Haq favoreceram o abuso desta lei.

Desde então, ocorreram mais de mil acusações de blasfêmia, um crime que pode levar à pena de morte, embora essa condenação nunca tenha sido cumprida.

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