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25 de Mar de 2020

Político dos EUA que ingressará nos jesuítas tem histórico abortista e pró-LGBT

O vice-governador do estado de Washington, Cyrus Habib, que anunciou há alguns dias que não buscará a reeleição e, em vez disso, se unirá nos próximos meses à Companhia de Jesus, tem um histórico de promoção do aborto e da agenda LGBT nos Estados Unidos.

Habib é um político cego, de 38 anos, de descendência iraniana que terminará sua carreira de oito anos em um cargo público, depois de afirmar que "dois anos de cuidadoso discernimento e oração" o levaram a solicitar unir-se aos jesuítas após a morte do pai por causa do câncer, o que o levou a considerar a ideia de se consagrar.

Diante da doença de seu pai, há alguns anos, um sacerdote da Catedral de Seattle recomendou que ele lesse "The Jesuit Guide to (Almost) Everything" (O guia jesuíta para (quase) tudo), do controverso sacerdote jesuíta James Martin. Com essa leitura, Habib começou seu caminho em direção à Companhia de Jesus.

Habib foi eleito vice-governador em 2016 e é o funcionário eleito iraniano-americano com o cargo mais alto nos Estados Unidos.

Como seu processo de discernimento foi "quase completamente privado", Habib disse que esperava que muitos de seus eleitores e apoiadores considerassem sua decisão como uma "grande surpresa", principalmente porque muitos o viam como um político com um futuro brilhante.

Habib é bem visto por NARAL, um grupo abortista nos Estados Unidos, que apoiou sua campanha para a eleição em 2014 e dois anos antes, quando se candidatou à legislatura estadual.

Como representante e senador, promoveu vários projetos pró-aborto no estado de Washington. Em 2015, patrocinou junto com outros legisladores um projeto de lei para garantir a cobertura de abortos, esterilizações e contraceptivos, uma iniciativa que não foi aprovada.

Em 2015, também promoveu uma lei para declarar como discriminação que um empregador não forneça cobertura para anticoncepcionais aos seus funcionários. A norma, que também não foi aprovada, teria estabelecido que o acesso aos anticoncepcionais é um direito humano no estado de Washington.

Em 2018, já como vice-governador estadual, aprovou-se uma lei para garantir a cobertura do aborto nos planos de saúde.

Em 2016, recebeu o respaldo de Planned Parenthood Votes Northwest & Hawai, algo que considerou como uma honra.

Em 2017, considerou como sendo “infeliz” o anúncio do governo Trump para evitar que os planos de saúde não cubram os serviços de contracepção, respeitando assim as “crenças religiosas” das pessoas.

Habib também se expressou em várias oportunidades a favor da agenda LGBT. Em 2012, disse que "absolutamente apoiava um referendo para reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo".

Como legislador estadual, Habib votou contra uma lei que obrigaria as pessoas a usar o banheiro de acordo com o sexo biológico, em apoio à agenda do lobby LGBT em relação aos transexuais.

No mês passado, Habib postou em sua conta no Twitter um discurso da congressista de Nova York Alexandria Ocasio Cortez, no qual ela rejeitava a decisão de um hospital católico da Califórnia de realizar uma histerectomia (remoção do útero) em uma mulher que se identifica como homem.

Ocasio Cortez disse naquela ocasião que "a única vez em que a liberdade religiosa é invocada em nome do fanatismo e da discriminação".

“Não há nada santo em se recusar a prestar assistência médica, não importa quem seja, assinalando qual deve ser a identidade. Não há nada santo em rejeitar alguém de um hospital”, indicou a congressista.

Habib descreveu o discurso de Ocasio Cortez como "uma grande articulação da doutrina social da Igreja".

Em um ensaio publicado na revista jesuíta America, Habib escreveu que ao entrar na vida política há alguns anos o fez "firmemente enraizado na doutrina social católica, que coloca os pobres, os doentes, os deficientes, os imigrantes, os prisioneiros e todos os marginalizados no centro de nossa agenda social e política”.

O futuro jesuíta indicou ainda que “a Igreja Católica lutou com assuntos morais e sociais muito difíceis durante 2 mil anos, e embora eu possa estar muito impaciente por ser alguém que se move lentamente, sei pela minha experiência pessoal o quanto podemos nos beneficiar de um vocabulário moral que insista na dignidade de toda pessoa”.

CNA, agência em inglês do Grupo ACI, entrou em contato com o escritório de Habib na sexta-feira, 20 de março, para perguntar se seu ingresso na vida religiosa também significa uma mudança em suas posições políticas. Na resposta de segunda-feira, 23 de março, indicaram que o ainda vice-governador só responde aos pedidos dos meios estatais e que não estava disponível para dar declarações.

Publicado originalmente em CNA. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

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