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25 de Nov de 2022

Cardeal Zen condenado a pagar multa por defender manifestantes pró-democracia em Hong Kong

O cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong, foi condenado hoje (25) a pagar uma multa de US$ 500 (cerca de R$ 2,7 mil) por irregularidades no Fundo de Ajuda Humanitária 612, criado para pagar despesas médicas e legais dos ativistas que participaram das manifestações pró-democracia em 2019.

O Fundo 612 cessou suas funções em outubro de 2021. Segundo o regime comunista chinês, a organização beneficente não estava devidamente registrada de acordo com a Portaria das Sociedades.

O cardeal, que compareceu ao Tribunal de Magistrados de West Kowloon com uma bengala, negou as acusações.

Após a sentença, o cardeal Zen disse aos repórteres que a decisão não deveria ser vinculada às liberdades religiosas da cidade.

“Vi muitas pessoas no exterior preocupadas com a prisão de um cardeal. Não está relacionado com a liberdade religiosa. Eu sou parte do fundo. (Hong Kong) não sofreu danos à sua liberdade religiosa", disse ele, segundo a CNN.

“Sou apenas um cidadão de Hong Kong que apoia a prestação de assistência humanitária”, acrescentou.

O julgamento contra o cardeal, realizado entre setembro e novembro, incidiu sobre se era necessário que os administradores da organização pedissem o registro do fundo entre 2019 e 2021.

Inicialmente, todos eles foram acusados ​​pela controversa lei de segurança nacional da China de conluio com forças estrangeiras, o que poderia acarretar a pena máxima de prisão perpétua.

As acusações foram retiradas e os réus enfrentaram uma acusação menor de acordo com a Portaria das Sociedades, uma lei centenária da época colonial que pune com multas de até US$ 1,27 mil (cerca de R$ 6,9 mil), mas não com prisão para réus primários.

A juíza Ada Yim não aplicou a pena máxima e disse no julgamento que o fundo "tinha objetivos políticos e, portanto, não foi criado apenas para fins de caridade".

O cardeal e os outros administradores do fundo foram condenados em maio junto com outros ativistas pela democracia sob a estrita lei de segurança nacional de Hong Kong e libertados sob fiança pouco tempo depois.

Desde a imposição da lei de segurança nacional, a maioria dos líderes pró-democracia da cidade foi presa ou exilada, enquanto vários meios de comunicação e ONGs foram fechados.

O cardeal Zen é um defensor da liberdade religiosa e da democracia e um forte crítico do acordo assinado em 2018 pela Santa Sé e a China sobre a nomeação de bispos.

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